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DRA. ELLEN LITTLE: MÉDICA E MISSIONÁRIA

ABILENE, TEXAS – Antes de começar em seu novo emprego, a Dra. Ellen Little reconheceu, ela “ela precisava descobrir como ser americana de novo.” Depois de passar oito anos como médica missionária em Uganda, em julho passado, ela começou como médica do campus da Abeline Christian University. Na África, “Eu cuidava de pessoas que pagavam as consultas com abacates, ovos, de vez em quando uma ave viva,” ela disse. “É um mundo diferente aqui.” Mas, foi aqui, nas planícies do oeste do Texas, onde ela foi inspirada pela primeira vez a pensar em servir a Deus na África. Little cresceu em Hillcrest Church of Christ, perto do campus da ACU, ouvindo relatos de missionários na África do Sul. No ensino médio ela e sua irmã, Alicia, decidiram ser missionárias. Alicia casou-se com Jay Walls e serviu sete anos na Itália.


Ellen Little, enquanto isso se envolveu com missões na área médica. Como aluna da ACU, ela viajou para Guatemala como estagiária no programa Treinamento de Evangelismo Médico, patrocinado por Health Talents International (Talentos da Saúde Internacional).  Viver em condições primitivas não a incomodava, disse Marie Agee, a diretora do programa. “Muito jovem … como cabelos longos até a cintura, ela não parecia uma típica missionária,” Agee disse. “Mas, o coração de Ellen estava ali.”

No primeiro dia do curso de medicina em Texas Tech, Little conheceu Lisa Dunham, que também  era estagiária do programa Health Talents. Little era a melhor da turma, Dunham disse, e depois foi uma das melhores pediatras residentes na University Medical Center (Centro Médico Uiversitário) em Lubbock. “Mas, acho que o que mais me impressiona é ela ter decidido servir em Uganda como uma médica geral, quando podia buscar oportunidade de carreira aparentemente mais elevada como especialista ou acadêmica,” disse Dunham, que também se tornou uma médica missionária, vivendo na Guatemala e trabalhando para Health Talents. Agee descreveu Little como alguém “que sabia o que queria fazer com sua vida e estava determinada a se preparar para tal.” “Ela é uma prova viva de que, quando Deus dá uma visão, cuidado!” Agee disse.

SOLTEIRA, MULHER, MISSIONÁRIA - Durante a residência, Little viajou para Uganda e foi recrutada para juntar-se a uma equipe missionária lá em 2001. A igreja de Hillcrest patrocinou seu trabalho. Em Uganda, ela tratava de pacientes e dava palestras sobre abstinência e outras questões de saúde para adolescentes. “Algumas coisas que eu tratava eram comuns como: resfriados e viroses, pressão alta, asma,” ela disse. Outras enfermidades eram comuns a África — malária e doenças causadas por parasitas. AIDS era comum, apesar de se pensar que Uganda tem uma taxa mais que seus vizinhos africanos. Little também tratou vítimas de tortura – refugiados de conflitos em Uganda, Sudão e outras localidades. Muitos sofriam de severas feridas físicas, mentais e espirituais. “Estes eram os que eu estava menos preparada para ver”, ela disse, “e em dias assim, eu só tinha vontade me arrastar de volta para casa, pois era tão difícil.” Mas, ela perseverou, apesar das dificuldades e apesar de ser uma mulher solteira na rígida hierarquia social de Uganda.“Eu ganhei pontos extra por ser uma médica, e perdi por ser mulher, e mais pontos me foram tirados por ser uma mulher que nunca reproduziu”, ela disse. “Ter um bebê é algo muito, muito importante, mais do que ser casada”. Mas sua condição singular lhe deu chances “de saber coisas sobre as ugandenses, que elas não estariam dispostas a dizer a um homem branco de 60 anos e com cabelos grisalhos,” ela disse. Little trabalhava com os líderes da igreja de Uganda, incluindo Isaac Sanyu, que a descreveu como uma dotada médica e professora da Bíblia. “A Dra. Ellen foi muito importante na luta de minha mãe contra o câncer”, disse Sanyu Ela comprou remédios que o ministro não podia pagar, e tentou fazer com que sua mãe ficasse confortável. Um dia, “Ellen perguntou a minha mãe o que mais poderia fazer por ela”, disse Sanyu. “Minha mãe respondeu, ‘Eu quero ser batizada’. Imediatamente Ellen a levou para o prédio da igreja”. Poucas semanas depois, a mãe de Sanyu morreu. Little ajudou o ministro na viagem de 10 horas de carro até a vila onde sua mãe nascera, e onde ela foi enterrada.“ A Dra. Ellen era e continua sendo este tipo de presente para nós”, disse Sanyu.

PARA ONDE AGORA? - Little perdeu seu pai em outubro de 2008 e veio para casa ficar com sua família. Ela não fez nenhum plano de cinco ou dez anos, mas crê que Deus abriu portas para campos estrangeiros em sua vida, e pode vir a fazê-lo novamente. “Eu amaria acabar indo para algum outro lugar”, ela disse. “Poderia ser África, ou China, ou Afeganistão, ou Brasil. Quem sabe?” Em sua função como médica do campus da ACU, Little “tem provado ser uma maravilhosa catalisadora para missões holísticas”,  disse Larry Henderson, a coordenadora de missões para a Ásia da universidade. “Os alunos gostam de ouvir o que Deus fez através de Ellen em Uganda e estão motivados e estarem mais disponíveis para sua obra em suas vidas”, disse Henderson. Ela gosta de falar sobre Cristãos que encontrou na África. Apesar das igrejas americanas compreenderem algumas verdades espirituais que os africanos lutam para entender, “há outras maneiras que as igrejas africanas entenderam verdades espirituais que as igrejas americanas não entendem”, ela disse. “Minha esperança e oração é que possamos aprender uns com os outros e crescer”, ela acrescentou. “Quanto mais formos capazes de nos relacionar uns com os outros, e acredite isto é muito mais difícil do que parece na superfície, melhores seremos. Mais seremos corpo de Cristo. Mais seremos um reino“.

 

Fonte: The Christian Chronicle

Texto: Erick Tryggestad

Tradução: Rita C. de Moura






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