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UMA HART PELAS CRIANÇAS ENTRE CULTURAS

 Cherry Hart falou suaíli antes de falar inglês. Nascida em Mbeya, Tanzânia, ela é filha dos missionários de longa data da Igreja de Cristo Eldred e Jane Echols. Pouco antes de começar na escola, sua família mudou-se para Benoni, África do Sul. “Meus amigos sul africanos não me aceitavam como uma sul africana”,  ela disse. “Eles sempre me chamavam de ‘Ianque’, mas eu não era da América! Eu nunca havia morado na América.”

Quando mudou-se para os E.U.A. a fim de se matricular na Michigan Christian College (agora Rochester College) sentia-se tudo, menos americana.  Ela falava a mesma língua que os demais, apesar do forte sotaque sul africano, mas as expressões, nuanças e maneirismos pareciam estrangeiros. “Na realidade, eu vivia em uma cultura própria, em uma terra de ninguém”, ela disse. “Então, foi uma emoção para mim quando finalmente entendi que havia outras pessoas no mundo que tinham exatamente a mesma experiência.”

Estas outras pessoas geralmente são chamadas de Filhos da Terceira Cultura, ou FTCs. Nos últimos cinco anos, Hart tem compartilhado experiências no seu ajustamento à vida na América com uma nova geração de FTCs no Global Reunion (Reunião Global), um acampamento com duração de uma semana no campus de Oklahoma Christian University.

Kent e Nancy Hartman, antigos missionários na Austrália e pais de três Filhos da Terceira Cultura, desenvolveram a idéia do acampamento.  Os Hartmans são missionários residentes na Oklahoma Christian. Mais de 40 jovens que cresceram em diversos lugares do mundo participaram do acampamento este ano. A maioria é filhos de missionários, embora alguns tenham crescido em famílias de militares baseados no exterior. Dois dos participantes  deste ano foram recomendações de fora das Igrejas de Cristo.

Como muitos filhos de missionários, Hart tornou-se uma missionária. Ela conheceu seu marido, Clay em Michigan Christian. O casal concluiu seus estudos em Abilene Christian University no Texas, antes de se mudarem para a África do Sul, onde serviram por 16 anos na cidade de Durban e dois anos e meio em Johanesburgo.

Seus três filhos são FTCs e têm participado dos acampamentos Global Reunion. Hoje os Harts vivem na metroplex Dallas e adoram a Deus numa igreja domiciliar.

No intervalo das sessões do Global Reunion deste ano, Cherry Hart falou com The Christian Chronicle (A Crônica Cristã) sobre os desafios que os Filhos da Terceira Cultura enfrentam, e como esta semana de acampamento os ajuda a enfrentá-los.

Alguns destaques:

• Na mudança de culturas: “FTCs são muito flexíveis. Eles são muito adaptáveis. Eles aprenderam, através da forma como foram criados, a estar culturalmente cientes. Eles estão constantemente tentando ser compatíveis com as pessoas ao seu redor, porque eles entram e saem de culturas.

“Porém, o que eles algumas vezes não entendem são as nuanças mais profundas de como fazer amigos em uma cultura. Então, nós passamos algum tempo tentando descrever a América para eles, descrevendo como americanos são diferentes de outras pessoas no mundo.

“Os americanos são tão, tão, tão conscientes sobre o tempo. E isso é tão diferente em quase todo lugar no mundo, onde a maneira de você expressar a uma pessoa que você se interessa por ela, é passando muito tempo com aquela pessoa. Assim, os FTCs podem tentar  fazer amigos, e no pensamento americano, eles são amigos. Porém, na mente de um FTC eles não passaram tempo algum juntos.”

• Vantagens de ser um FTC: “Eles têm uma visão muito, muito ampla do mundo. Eles têm uma natureza muito misericordiosa para como os pobres, porque frequentemente viveram entre os pobres. Quando eles chegam aos Estados Unidos, eles têm a tendência de se importar com os excluídos, os estrangeiros e as pessoas que não se encaixam, aqueles que precisam de compaixão.

“Eu creio que Deus pode usar poderosamente os FTCs em todo o mundo, porque eles entendem as pessoas de uma forma diferente de alguém que foi plantado e cresceu em um mesmo lugar. ”

• Encontrando comunhão: “No primeiro ano que estávamos juntos, nós tínhamos um grupo pequeno, e 13 países estavam representados. Porém, depois de cinco minutos na sala, parecia que se conheciam a vida toda. Nas avaliações, alguém sempre escreve: ‘Pela primeira vez na vida, me senti em casa. ’

“Um FTC tem suas raízes em relacionamentos, não em lugares, porque geralmente tivemos estilos de vida bastante móveis. A pergunta mais confusa que alguém pode nos fazer é: “De onde você é?” 

• Um bom resultado: “Perto do final do acampamento, nós sempre perguntamos a eles: ‘Vocês gostariam de fazer isso a seus filhos? Vocês teriam filhos em uma cultura estrangeira?’

“E, sem exceção, todos dizem: ‘Eu teria’. Assim, eu creio que isto faz com que missionários continuem saindo para o campo.

“Se você os ajuda a verem todas as bênçãos de tudo o que eles experimentaram, eles sabem que podem dar aquela mesma benção a seus filhos. ”


VOZES:  Porque você veio a Global Reunion 2010? Qual sua parte favorita?

Pergunta feita no acampamento Global Reunion 2010 para Filhos da Terceira Cultura e seus pais na cidade de Oklahoma. 

\"Por muito tempo eu pensei que estava completamente sozinho nessa coisa de mudar de um lugar para outro. De certa forma, é um tipo de acampamento terapêutico. Mas, é muito mais que isso. Todos aqui têm as mesmas alegrias, e as mesmas lutas. \"Luke Cariaga, Fort Worth, Texas (antes morou em Cebu, Filipinas)

 \"Eu quis vir a este acampamento porque eu queria estar com crianças do mundo todo e também com pessoas que têm os mesmos problemas. Fomos jogar boliche ontem, e eu gostei muito, e também fomos a um lago. \" Jonathan Richardson, Belo Horizonte, Brasil

 \"Meus pais me inscreveram no acampamento para eu conhecer outros Filhos da Terceira Cultura. Eu gostei da comunhão com as pessoas, das discussões, descobrindo assim, que outras pessoas são bem parecidas comigo. \"  Elizabeth Price, Kansas, Mo. (antes viveu em Sarajevo, Bósnia e Herzegovina)

 \"Embora já tenha lidado com os mesmos problemas, foi bom apenas conversar com os mais novos. Teria sido muito bom ter alguém que tivesse passado pelas mesmas coisas, alguém mais velho, para me dar alguns conselhos. \" Vanessa Whitt, Dalas (antes morou em Cebu, Filipinas)

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